Game Pass à la carte: assinante escolherá o que pagar
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Reportagem da Fortune afirma que a Microsoft planeja reformar o Game Pass e fazer o assinante escolher add-ons de multiplayer, nuvem e jogos de console.

A Microsoft estuda uma reforma integral do Xbox Game Pass que permitiria aos assinantes escolher, à la carte, o que pagar no plano de assinatura — com add-ons individuais de multiplayer online, jogos exclusivos de console e nuvem, mantendo uma estrutura de níveis. A informação foi revelada em perfil da CEO da divisão de gaming, Asha Sharma, publicado pela revista Fortune em 20 de outubro de 2026 e retomado nesta sexta-feira, 24, por veículos como Engadget, IGN e TrueAchievements. Segundo pessoas familiarizadas com a estratégia citadas pela publicação, o novo sistema ainda não tem data de estreia nem tabela de preços definida, mas é parte central da aposta da executiva para transformar o serviço de assinatura em um negócio de fato lucrativo.

O que significa uma assinatura “à la carte”
Hoje, quem assina o Game Pass paga por um pacote fechado de benefícios: biblioteca rotativa de jogos, multiplayer online, streaming na nuvem e outras concessões embarcadas, como EA Play e Ubisoft+ Classics no plano mais caro. No modelo descrito pela Fortune, parte dessa lista deixaria de ser embutida e passaria a ser vendida separadamente. O assinante poderia, por exemplo, abrir mão do acesso a jogos exclusivos de console ou reduzir as horas de nuvem para baratear a mensalidade — a mesma lógica que motivou o formato de passe de batalha e de skins avulsas, mas aplicada ao coração do serviço.
A ideia não surgiu do nada. Em abril, o Windows Central já relatava que a Xbox queria chegar a um modelo “em que os usuários possam decidir quais pacotes de conteúdo querem como parte do plano”, citando até a possibilidade de remover a entrada ao Fortnite Crew para reduzir o preço. Em outubro, a reportagem da Fortune deu peso oficial ao assunto, ao afirmar que a reforma faz parte da estratégia declarada da companhia — e não apenas um estudo interno.
“A Xbox está planejando uma grande reforma do Game Pass que permitiria aos jogadores escolher funcionalidades à la carte, incluindo add-ons para jogos exclusivos de console, nuvem e multiplayer, com o sistema operando em uma estrutura de níveis, segundo pessoas familiarizadas com a estratégia.”
Fortune, em 20 de outubro de 2026
Quanto custa hoje cada plano do Game Pass
Para entender o tamanho da mudança, vale recapitular o recorte atual de planos vigentes, ajustados após o corte de preços anunciado no início da gestão de Sharma:
| Plano | Preço | Principais benefícios |
|---|---|---|
| Game Pass Ultimate | US$ 23/mês | Mais de 500 jogos, lançamentos no dia um, Fortnite Crew, EA Play, Ubisoft+ Classics, multiplayer e até 15 horas de nuvem |
| Game Pass Premium | US$ 15/mês | Mais de 200 jogos, multiplayer e até 10 horas de nuvem |
| Game Pass Essential | US$ 10/mês | Mais de 50 jogos, multiplayer e até 5 horas de nuvem |
| PC Game Pass | US$ 14/mês | Mais de 300 jogos de PC, lançamentos no dia um e EA Play |
Os números ajudam a explicar por que a engenharia de planos é sensível: há poucos meses, o Game Pass Ultimate chegou a custar o dobro do valor atual, e o recorte de quase um terço no preço foi um dos primeiros movimentos de Sharma no cargo. Driblar altas e baixas selvagens de preço é justamente o cenário em que um menu de add-ons avulsos se torna atraente para a financeira da Microsoft — e potencialmente mais honesto para o consumidor.
Nuvem é o primeiro laboratório do novo modelo
O streaming de jogos parece ser a porta de entrada da reforma. Desde o lançamento dos tetos mensais de nuvem — 5, 10 ou 15 horas conforme o plano — a Xbox já tratou as horas extras como produto avulso, vendáveis. Em paralelo, a empresa testa em versão de prévia a venda de nuvem a quem nem sequer tem Game Pass: paga-se para jogar na nuvem sem assinatura anual. Ou seja, a base do sistema à la carte já está sendo construída na prática, e o multiplayer e os jogos de console entrariam na mesma esteira.
Esse desenho também resolve um problema antigo de percepção de valor. Bônus embutidos no plano topo, como a entrada ao Fortnite Crew e acesso a catálogos de outras publishers, só interessam a uma fatia dos assinantes. Quem joga exclusivamente no PC, por exemplo, nunca viu valor em vantagens de console. O novo formato promete alinhar o que se paga ao que se usa, embora a Fortune não diga se os lançamentos de jogos da primeira parte no dia um — o maior atrativo do plano Ultimate — sobreviverão à reformulação.
Por que a Microsoft está mexendo agora
A reforma não é um capricho de produto: é matemática de negócio. Segundo a Fortune, a Microsoft desejava chegar ao fim do ano fiscal de 2026 com cerca de 77 milhões de assinantes do Game Pass — uma meta que contrasta de forma abissal com a base atual, estimada em pouco mais de 30 milhões. No outro lado da balança, o serviço é apontado pela própria reportagem como uma ferramenta que canibalizou vendas de lançamentos internos caros, especialmente nas janelas de estreia, criando atrito entre a receita de assinatura e a de jogos vendidos.
Sharma assumiu a divisão em fevereiro em um ambiente de contenção: a área passou por demissões em massa — cerca de 3,2 mil postos de trabalho ao longo do ano — e pela venda de estúdios, enquanto a companhia exige dos times um caso de negócio mais sólido. O preço provável de US$ 1,8 mil, segundo fontes do setor, para as futuras plataformas Project Helix é o outro extremo dessa mesma política: produtos e serviços cobram o preço que a conta exige, não o que o mercado acha bonito. No meio disso tudo, o Game Pass é o ativo mais visível do portfólio de gaming — e o alvo mais lógico da racionalização.
Esse contexto também explica a pressa. Com debates sobre posse digital, revisão de preços de consoles e uma concorrência cada vez mais agressiva no mercado de assinaturas, a Microsoft precisa provar que o modelo de buffet de jogos é viável. Um cardápio à la carte é justamente a resposta clássica de quem não quer matar o serviço, mas já não aceita o abismo entre 77 milhões e 30 milhões de clientes.
O que ainda não sabemos
- Precificação dos add-ons: quanto custará multiplayer ou nuvem como item avulso, e se formos somar virá a sair mais barato ou mais caro que os pacotes atuais.
- Sorte dos títulos de dia um: nada indica se o acesso a lançamentos da primeira parte continuará embutido ou virará bônus de um add-on premium.
- Prazo: a Fortune não anunciou data de lançamento, e a Xbox não declarou oficialmente nada sobre a reforma na forma de um comunicado tradicional.
- Fim das tiers atuais: analistas como os do TechPowerUp avaliam que os planos atuais podem ser aposentados quando o novo sistema entrar no ar.
Até que a Xbox se pronuncie formalmente, o retrato da matéria é o mesmo: na cabeça de Asha Sharma, o buffet do Game Pass está com os dias contados — e em seu lugar, cada assinante montará o prato que puder pagar. Fique de olho no nosso acompanhamento de games e assinaturas: se a mudança se confirmar, vale a pena repensar sua mensalidade antes da renovação do próximo ciclo.





